28 de outubro de 2014

Apenas um sonho qualquer

Sou ator. Com DRT e tudo vejam vocês! Poucas pessoas sabiam desse sonho maluco de poder viver outras vidas que não a minha. Nunca acreditei muito na possibilidade de viver apenas de arte. Então, mesmo tendo feito teatro na infância e adolescência, tendo roteirizado e dirigido uma adaptação de Capitães de Areia que lotou o teatro da minha cidade em duas sessões pagas, mesmo tendo ganho prêmio de melhor atuação com catorze anos, de ter feito roteiros, filmes em colégio e de toda a certeza do que eu queria para minha vida, peguei outros caminhos, busquei outros rumos que me serviriam de sustentáculo para, talvez, realizar aquele sonho que de tão sonho eu não ousava contar a ninguém. Até que um dia, da maneira mais improvável e impensada, esse sonho me atropelou. Em questão de meses eu estava em um palco, em outro estado, atuando no principal teatro da cidade num monólogo escrito por mim.

Eu tremia, mas ao mesmo tempo olhava lá de cima e via aqueles olhos prestando atenção em minha voz, em meus movimentos. Era estranho e ao mesmo tempo sublime. Depois daqueles dias incríveis, muita coisa aconteceu. Foram convites, testes, comerciais e entre altos e baixos sigo fazendo isso há quase cinco anos. Foram também oficinas, cursos, trabalhos, às vezes remunerados, em outras tantas não, e a certeza de que é isso que quero para minha vida, que é dessa forma que sou feliz. Escrevi alguns textos que acabaram virando projetos encenados e que foram muito elogiados. Outra paixão.


Nada no meio artístico são flores. Conheci muita gente legal nesses anos, mas também muita gente que te passa a perna, que trabalha contigo ou passa meses ao seu lado e na rua ou em eventos finge que não te conhece, pessoas que tentam te derrubar com palavras, decepções. Enfim...



Lembro que recebi um convite para fazer uma ponta numa minissérie da Rede Globo. Passei dois dias gravando uma importante cena para o desfecho da história ao lado de grandes atores que me acostumei a ver na TV. Estava nervoso e ao mesmo tempo tinha ligado o foda-se, já estava ali e era tudo ou nada. Pois bem, foi nada. A cena era todo um engodo para despistar o capítulo final da história, pois havia um segredo. Era uma cena falsa, que não foi ao ar. Dois dias de gravação se tornaram em dois segundos na TV. HAUHAUHAUHAUHAUAHUAHUAHUA



Morri. 
Fiquei de cara olhando para a tela sem acreditar. 
Já se foram bons anos desde então. E hoje, mais maduro, sei da importância em deixar o pés bem plantados no chão e do quanto é preponderante o estudar e entender de forma correta esse mundo que me toma cada vez mais.
O quanto é importante não querer colocar as mãos onde o braço não alcança e de dar um passo de cada vez. Tenho um longo caminho pela frente. Mas ao menos já sei que é esse caminho que devo seguir. Ver nos olhos de uma criança ou de um adolescente a emoção de falar com você no fim de uma apresentação. 


De saber que ali a sua semente foi plantada, que ela viu você da forma mais caótica possível e ainda assim soube tirar do palco a lição que você quis passar. 
Poderia parar hoje de fazer o que faço, já estaria feliz e grato a Deus por tudo.






Estava com saudade de escrever aqui, esse texto foi só um pretexto para voltar a fazer isso.


Gabriel Matos

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