12 de janeiro de 2012

Monique no velório.

Foi com horror que ouvi a voz do outro lado da linha:
-Monique minha mãe morreuuuuu!
Senti todo o meu corpo se enrigecer num espasmo involuntário de dor e pesar, era a mãe de uma das minhas maiores amigas no trabalho e uma das mais queridas também.
Precisei de alguns segundos para tentar dizer alguma coisa. Não sou boa com luto. Nunca sei o que dizer e fico com medo de cometer alguma gafe. Então dei meus pêsames e fiquei calada ouvindo ela me contar toda a história de como sua mãezinha foi embora.

(Pausa para vocês darem um abraço em suas mães ou se ela morar em outro local, ligar dizendo o quanto a ama).

Fiquei ali, calada, muda, fria, triste, devastada, tentando parecer calma, compadecida, moderada, mas na verdade eu estava destruída por dentro.
Ela me disse que o velório seria a noite, mas que o enterro seria no dia seguinte. O chefe liberou todas as meninas do gabinete e lá fomos nós, em quatro, para aquele último ato de piedade cristã.
Chegando lá, nos colocaram na frente da igreja onde o corpo estava sendo velado e lá ficamos, as quatro mudas, ouvindo os lamentos dos entes queridos da defunta.
Foi quando ouvi um soluço engasgado.
Achei que a Marilandia, uma das minhas colegas de trabalho, estava chorando, mas foi com horror que percebi que ela estava segurando o riso!
Quedei em desespero. Não posso ver ninguém rindo, ainda mais numa situação daquelas em que todos estão em desespero e eu nervosa. Sou daquelas que ri quando estão nervosas meu Deus!
Marilandia agora estava vermelha, eu via a força que ela estava fazendo para não soltar uma sonora gargalhada. 
Foi então que eu solucei. 
A vontade de rir estava vindo sorrateira, por debaixo dos panos, pronta pra me colocar em mais uma situação de embaraço e vergonha. 
Levantei de supetão. Tinha alguns segundos para chegar até a parte externa da igreja e poder dar vazão à minha sanha psicótica de riso. Vi todos os olhos se voltando para mim. A minha amiga enlutada me chamou numa voz de engasgo, entre surpresa e assustada:
- Monique?!
Eu dei um guincho curto e estridente em resposta e saí, já não podia me segurar mais e agora era sério! Já estava gargalhando quando me aproximei da porta de entrada e devido ao desespero em que me encontrava, não vi o castiçal com velas que estava ao lado e terminei tombando nele. As velas caíram sobre as cortinas que de pronto pegaram fogo. As labaredas se espalharam rápido e agora eu já não segurava o riso, ria em absoluto desespero enquanto o povo na igreja gritava:
-Fogo! Fogo!
O que veio a seguir não tenho como relatar. Me faltam palavras para tanto. Mas posso garantir que foi um espetáculo de horror: um tropel de gente com os braços para cima, gritando e urrando ante tamanho desastre.
E eu, o que fiz? 
Peguei o primeiro táxi que apareceu em minha frente e sumi dali.

Monique Lamert

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