27 de dezembro de 2011

De quando eu era gorda - Parte 1

Eu era gorda. Não cheinha e gostosinha, mas sim uma potranca. Daquelas que os coleguinhas do colégio chamam de “gorda como uma porca” sem saber o quando machuca, o quanto ofende e magoa a pobre porquinha, por ser comparada a algo tão disforme e feio.
Por tal motivo, cresci sozinha e sem amigos, pois não havia quem quisesse a companhia da Monique-Sebosa, ou da Rolha do Oceano, ou da 1.500 arrobas, ou da mortal Freewilly, assim escrita, pois deixou de ser título composto de filme em inglês para se tornar um apelido ofensivo em português. Tinha também a Cuca com sobrepeso ou...
Ah, esquece...
Passaria a madrugada aqui escrevendo todos os apelidos a que tive que aturar ao longo da minha vida de gorda e ainda assim não seria o suficiente para mostrar uma pequena parte deles.
Vocês já devem ter percebido que os mais feios no colégio caminham em uma só direção, como um rebanho de ovelhas acossado por lobos famintos. Todos juntinhos, buscando a falsa sensação de proteção conjunta, mas sem saber a força que teriam ao se unirem. Andar juntos ainda trazia outro benefício: se alguém do grupo feio fosse pego para o “Cristo do Dia”, o restante sabia que ao menos naquele dia seria esquecido e por conta disso, ocupavam-se de achincalhar o pobre coitado que a essa altura já estaria apanhando, ou sendo xingado, ou sendo humilhado de alguma forma cretina e cruel. 
Parecia meio incongruente os feios se unirem para ofender a vítima do dia, mas era apenas uma débil tentativa de desviar a atenção de si mesmos.
Mais tarde descobriríamos que a união poderia ter sido usada para nos ajudar com aquela terrível situação. 
Continua...

Monique Lamert

About Monique Lamert

Author Description here.. Nulla sagittis convallis. Curabitur consequat. Quisque metus enim, venenatis fermentum, mollis in, porta et, nibh. Duis vulputate elit in elit. Mauris dictum libero id justo.

Subscribe to this Blog via Email :