15 de novembro de 2011

Uma recuperação, Maria Bethânia e ataques epilépticos: uma combinação de sucesso.



Todos sabem que eu nunca fui um bom aluno. Na verdade eu era um péssimo aluno no colégio.
Depois na faculdade, melhorei um pouco, mas passava longe de ser o melhor da turma. Acontece que quando eu era oitava série, brinquei o ano inteiro. E posso falar a vocês? Foi um dos anos mais felizes de minha vida. Valeu cada nota baixa que tirei e o desespero que vivi em seguida para conseguir me sair bem na recuperação de TODAS as dez matérias.
Fiz cada uma das provas de recuperação depois de duas semanas de estudo intenso. Cada prova terminada me levava à certeza de que eu venceria aquela batalha. Dia após dia eu sentava e respondia aquelas provas com a decisão de que não iria perder o ano. Mas eis que chega a avaliação de história. Sempre gostei de ler, mas miraculosamente, nunca gostei de história. Odiava as datas, os feudalismos e iluminismos que se estendiam em minha frente. E era essa recuperação que me tirava o sono. E ela seria a última, como a cereja podre de um bolo.
Enfim, chegou o fatídico dia da prova. Entrei na sala tremendo e me sentei quase no fundo na vã esperança de poder pescar um pouquinho. Apesar de ter estudado, eu não sabia nada. As palavras se esvaíam de minha cabeça como a chuva escorre num bueiro. E naquela época, bastava tomar 5 na porra da recuperação, para ser aprovado. Ou seja, era mamata, só que ao contrário.
Professora Telma.
 Brinks! :P
Para piorar meu desespero, a professora que era a cara da Maria Bethânia e super mal humorada, já chegou cheia de maus bofes, colocando descompostura em um, ameaçando outro e dizendo em detalhes o que faria se caso surpreendesse alguém colando.
Após as ameaças, a bruxa começou a distribuir as provas. Sentia meu corpo inteiro tremer de medo.
EU NÃO PODIA PERDER O ANO.
Finalmente peguei o papel que continha minha sentença de morte e pude saborear o horror mais puro: eu não sabia uma única questão.
Comecei a fingir que respondia a maldita prova, buscando um momento propício para colar alguma coisa do livro que se encontrava embaixo da minha cadeira. Mas as horas voavam e esse momento não chegava. 
Meu desespero só aumentava. 
Olhava ao redor e via todos meus colegas de cabeça baixa, respondendo cada uma das 15 malditas questões. O suor escorria pelas minhas costas e a certeza de que meu fim chegara, agora era certa.
Buscava na sala uma alma boa que pudesse me ajudar, um lapso da professora, que com sua cara idêntica a de Maria Bethânia, perscrutava cada canto da sala com olhos famintos por alguém que estivesse a pescar. Eu já estava certo de que iria tomar pau na recuperação. Já sentia em meu couro, as lapeadas do currião que castigaria o meu lombo. Ah se sentia.
Mas qual não foi a minha surpresa ao perceber ao meu lado uma certa agitação: Evaldo, o repetente da sala, começara a tremer. E o que era apenas uma tremidinha se transformou numa convulsão.
Ah meu caro Evaldo... Como você tremeu e espumou não foi mesmo? Com que satisfação vi seus olhinhos revirarem e sua boca repuxar num esgar patético.
Sem contar no prazer que senti ao ver a professora-com-cara-de-Maria-Bethânia gritar e sair correndo pedindo socorro por todo o colégio.
Aproveitando a agitação que se formava, peguei o livro que se estava sob minha cadeira, prontinho para ser usado, e fui respondendo questão por questão, avidamente, enquanto todos se levantavam para acudir o pobre Evaldo.
Mas não eu.
Gabriel tinha algo mais importante a fazer: EU TINHA QUE PASSAR DE ANO!
Enquanto a turma inteira agora se debruçava sobre o Evaldo que a essa altura já se encontrava sem camisa e tremendo que nem um porco no abate, eu friamente, copiava decidido, cada uma daquelas doces palavras que se encontravam no livro, respondendo as questões como se daquilo dependesse a minha vida.
E dependia.
Mesmo quando a professora adentrou a sala com a enfermeira eu continuei a escrever como se não houvesse um amanhã.
E não haveria para mim se caso eu tomasse uma bomba.
Enfim, resumindo a história: o Evaldo foi levado para o hospital e eu, depois de um árduo trabalho de pesquisa, consegui responder todas as questões em tempo recorde. Minha recompensa veio duas semanas depois. Consegui passar em todas as matérias e com notas excelentes, diga-se de passagem!
Obrigado Evaldo pela mãozinha, ou tremidinha... hahahah ^^

Mas nada tira da minha cabeça que aquele ataque epiléptico foi um truque do cara para que ele conseguisse se safar da prova que estava fuderosa. Se foi, parabéns para ele, pois foi muito convicente.

Gabriel Matos

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2 Amigos Me Deram uma Luz

Write Amigos Me Deram uma Luz
Leandro
AUTHOR
19 de novembro de 2011 21:03 delete

vc ja era uma criança anormal, cresceu e se aproveita disso para criar um blog. parabéns, adoro isso!

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Alex
AUTHOR
28 de novembro de 2011 01:12 delete

Que história forçada. Não dizendo que é fake, mas da a entender que tem o maior orgulho de uma puta historia vulgar, egoista e nojenta.

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