13 de outubro de 2011

Ida desastrosa a uma repartição pública

O retrato do funcionarismo público.
Que todo o serviço público é cercado de burocracia e mau humor, por parte dos seus funcionários, não é novidade. Mas e quando esse mau humor toma ares de cinismo e pirraça, o que fazer? Como lidar?

Dia desses precisei ir em um chiqueiro desses fazer o que não interessa e recebi um dos piores tratamentos da minha vida!
Segue o breve relato:
Eu (feliz e animada até então):
- Bom dia! Vim assinar es...
Atendente (retocando a sombra azul bebê prateado das galáxias, que combinava com seu tailleurzinho também azul bebê e sem olhar para mim):
- Pegue a senha e aguarde;
Eu, ainda feliz, porém menos animada:
- Ah, certo, mas antes gostaria de tirar uma dúvida!
Atendente (retocando agora o batom cor de boca roxa, delineado por um lápis de boca preto):
- Já pegou a senha?
Eu, já meio chateada e desanimada:
- Ainda não, eu só preciso que antes você tire minha dú...
- Sem senha, não posso estar fazendo nada por você. - Agora, com uma pinça, ela arrancava um dos poucos pêlos que ainda sobravam em sua sobrancelha e que já se encontrava por um fio;
Fui até a maquineta de senhas já puta da vida e apertei o botão. Senha de número 60, olhei para a telinha de led e constatei com amargura, que ainda estava na de número 2.
Sentei-me e aguardei.

Foram quase três horas do meu dia perdido, ao que finalmente chegou na senha 59. A essa hora, já batia os pezinhos de ansiedade e contentação pois finalmente sairia daquele terrível local.
Os minutos se arrastavam e a pessoa que estava sendo atendida não se levantava.

Aguardei mais uns 20 minutos ao que finalmente, a vaca de óculos quadrado que estava sendo atendida, se levantou. Fui seca até a atendente sem nem esperar o número virar. Fui sentando e para meu mais completo pavor, agora ela abria a bolsa e sacava de sua necessaire da Betty Boop (odeio a Betty Boop), o maldito estojo de sombras.
E recomeçou o processo de retoque da horrenda maquiagem.
Depois de quase 15 minutos tentando dar algum ar de dignidade para aquela destruída face, ela guardou o estojo e levantou seu corpo esquálido da cadeira.
- É hora do almoço, bebê. - E saiu sorrindo e remexendo aqueles quartos de égua sertaneja e faminta.
Senti meu corpo estremecer de ódio, mas lançando mão de minha recém adquirida calma tibetana, resolvi aguardar. Foram quase 40 minutos.

E então ela voltou com um cafezinho fumegante na mão.
- Pode vir mocinha. - Falou com desdém, claro;
- Então senhora, eu queria que vocês carimbassem esse documento, porque eu vou...
- Não carimbamos isso aqui mocinha. - Falou secamente.
- Como não, agora há pouco você carimbou para outra pesso...
- Não carimbei não, tá me chamando de mentirosa? - E me lançou um olhar de raiva;
- Veja bem, eu vi você carimbando; - Eu já estava fechando o punho e meu olho esquerdo tremia num tique desenfreado de possessão extrema
- Não, não carimbei.

Bem, eu não iria ficar naquele lenga-lenga, senão não seria eu, Monique. Então levantei e agarrei a gola do seu tailleur e puxei-a para perto de mim:
- Sua seca da moda, você vai levantar esse rabinho murcho da cadeira e vai carimbar meu documento, senão eu mesma vou carimbá-lo e com a sua cara.
 Ela mesmo assustada ainda me desafiou:
- N-ã-o  c-a-r-i-m-b-o.
Perdi a cabeça. Peguei a sopa de ossos e arrastei sala afora, até a mesa onde estava a almofada de carimbo. Bati com a cabeça dela diversas vezes na almofadinha de tinta enquanto ela gritava incrédula.

Todos que se encontravam na sala levantaram-se batendo palmas e gritando de contentamento e me cumprimentaram por tamanha atitude. Porém antes, deixei-a caída ao chão com um lado do rosto totalmente azul. Aquilo ia dar trabalho para sair. Azar o dela. Carimbei o documento eu mesma e saí rebolando. 

Acordei.

A infeliz continuava ali em minha frente, com sua horrível cara seca e maquiada, me desafiando com o olhar e dizendo que não carimbou.
Foi apenas um devaneio, não fiz nada daquilo. Simplesmente levantei e fui embora. Não sou louca e nem quero ir presa. Não agora, que meu casamento se aproxima e que me acertei com meus sogros, depois do que aconteceu naquela fatídica segunda parte do episódio do sex shop.
Decepcionados né? Queriam barraco? Pois então vão vocês e façam! Ah e não se esqueçam de contar aqui nos coments ok amadinhos?

Monique Lamert

About Monique Lamert

Author Description here.. Nulla sagittis convallis. Curabitur consequat. Quisque metus enim, venenatis fermentum, mollis in, porta et, nibh. Duis vulputate elit in elit. Mauris dictum libero id justo.

Subscribe to this Blog via Email :